quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Enfim... coisas!!!

Quero um dia a mais
Uma esperança apenas
Um pouco desse todo
Um tanto de esperteza
Bem mais que estrela em noite fria
Mais lenha pra essa fogueira
Um sol pra brilhar o dia
E mais um teco de certeza
Quero sonhos mais reais
E uma história que se inventa
O gosto bom dessa presença
E esse olhar que me atormenta
Quero o mate e o cobertor
E o abraço que me esquenta
Mais um dia que se vai
E esse dia que não chega...

Bruna Redoschi

domingo, 16 de agosto de 2009

Chance pra depois

O que você pensa quando me olha nos olhos e digo que não sei do futuro?
O que você diz sobre dar chances ao presente para que você se torne o presente maior?
Não sei muito da vida nem o que ela nos reserva pra depois, ou mesmo se reserva.
Eu quero começar de novo de uma maneira diferente e olhar com mais atenção... fale comigo, ande comigo, me diga... pra que eu possa tentar entender.
É tão obvio mas não consigo ver, está tão perto mas não sei o que quer dizer.
Não sei muito de você, nem mesmo sei de mim, mas é certo que quero aprender.
Não sei do hoje e tão pouco se haverá amanhã pra tentar, mas é fato que quero arriscar.
Talvez seja feito pra durar ou somente pra se aventurar, mas quem não gosta de jogar? Esperava por tanto tempo a chegada de um milagre que sabia não existir, mas me surpreendi.
E agora, o que vai dizer?
As mãos podem se juntar e os dedos se entrelaçar, mas será que quer apostar?
Quantas chances você já deu pro agora sem pensar no amanhã... quantas ainda pretende dar?

Bruna Redoschi

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Não mais que um dia

Tenho o direito de me sentir triste, eu me dou esse direito. Mas aprendi recentemente que a tristeza não compensa se persiste por mais de um dia. Ela nos afasta do mundo, transforma o céu aberto em grandes tempestades, nos torna hostil com quem acarinha nossa face, atrai rugas de expressão e suga nossa saúde, além de afastar de nós o bem mais precioso que podemos ofertar: o sorriso! Desse estranho sentimento que habita o coração de nobres mortais por tantas vezes durante nossa trajetória, podemos tirar proveito apenas de uma conseqüência que ele trás... aproxima de nós pessoas que se importam em nos ver felizes e que sofrem com nossas lágrimas mais do que podemos imaginar. Nos faz reviver pequenos gestos simples pouco valorizados no dia-a-dia... o abraço de corpo inteiro, o afago nos cabelos, o beijo carinhoso, o olhar acolhedor, o largo sorriso sincero decifrando felicidade.

Dos 365 dias, não me importo que um seja de tristeza... mas somente um. Não dar à tristeza a importância que ela pensa ter, é um novo lema.


“Eu tava triste, tristinho! Mais sem graça que a top-model magrela na passarela. Eu tava só, sozinho! Mais solitário que um paulistano, que um canastrão na hora que cai o pano, tava mais bôbo que banda de rock, que um palhaço do circo Vostok... Mas ontem eu recebi um telegrama, era você de Aracaju ou do Alabama, dizendo: Nêgo sinta-se feliz porque no mundo tem alguém que diz: Que muito te ama! Que tanto te ama! Que muito muito te ama, que tanto te ama!...Por isso hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, de beijar o português da padaria...” (Telegrama, Zeca Baleiro).

Bruna Redoschi

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sinal Vermelho

Um sol escaldante, os vidros arregaçados e meu pulmão gritando por ar puro. Vermelho. Sinal vermelho para o enfileirado de carros e para meus pensamentos que há pouco foram interrompidos pela música no rádio. Quase que instantaneamente meus olhos avistaram vindo em minha direção um par de olhos claros envoltos por uma pele que trazia as marcas do tempo. Sua marcha talonante sustentada pela bengala improvisada, talvez tenha sido um mero detalhe naquele episódio que jamais será esquecido. Ao se aproximar do carro com a mão estendida, recebeu um gesto negativo feito pelo balançar de minha cabeça enquanto ainda cantarolava a tal música do rádio. Como em um gesto de compreensão, recebi um sorrido simpático em troca no meu “não”, embora eu até tivesse uma dessas coisas denominadas “moedas” no fundo da bolsa amarela, mas medíocre que fui nem me dei ao trabalho. Voltando-se ao carro ao lado, um Mercedes com um cinqüentão no comando, estendeu a mão novamente, e nesse momento chegou aos meus ouvidos “E você cara, não tem uma moeda pra me dar não?”. Surpresa com o que acabara de ouvir do playboy de meia idade, voltei meu olhar rapidamente para o Sr. Olhos Claros que retirando um punhado de moedas do bolso ofereceu sua mão aberta em direção ao Mercedes dizendo: “Pode pegar, quem pede também pode ajudar!!!” Meus olhos imediatamente se encheram de lágrimas e foi naquele momento que percebi o quanto fui mesquinha. Eu, que não abro mão do peru de natal, dos ovos de páscoa, dos presentes de aniversário. Eu, que por tantas vezes coloquei meu orgulho acima de tudo, que não abri mão das minhas vontades por nada nem por ninguém. Eu, que tenho tudo o que é necessário para uma vida plena e feliz, não tive naquele momento a humildade do nobre senhor.

O sinal ficou verde e só percebi quando o motoqueiro me xingou. Em meio a tantas buzinas, engatei a primeira e sumi na multidão dos carros deixando pra trás a melhor oportunidade de agradecer alguém por uma ótima lição.

Bruna Redoschi.