quarta-feira, 24 de junho de 2009

Apesar dos pesares

Dentro da caixinha azul, há muito esquecida por mim, dormem em um sono eterno as lembranças de um tempo esquecido. Em papéis amarelados e surrados pelo tempo, consigo ainda juntar as palavras que, em letra de forma, prometem um “pra sempre” que jamais existiu. Perguntas que ficaram sem respostas, juras que ainda estão por se cumprir, planos de um futuro próximo que se tornou inatingível. Não vou dizer que não dói mais, pois soaria falso, porém asseguro que faz parte de um passado distante. Distante do tempo, porém perto demais... Os borrões de tinta num pedaço de papel retangular, trazem a tona emoções contidas pela incerteza, que aos poucos se transformam em um líquido salgado deslizando pela face.

Hoje, apesar dos pesares, tenho a certeza de que o caminho curto da felicidade que transformou-se na viagem longa de uma busca incessante por algo incerto, está repleto de flores.

E confesso: esse caminho continuará a ser percorrido.

Bruna Redoschi

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sobrevivendo

Sai da atmosfera atravessando as fossas nasais, a faringe, laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos chegando finalmente aos alvéolos, onde penetra no sangue e é levado pela corrente sanguínea a todos os órgãos que me mantém em pleno funcionamento, e retorna aos alvéolos como gás carbônico sendo devolvido a atmosfera. Esse elemento químico presente na forma de gás incolor e inodoro que representa 20% da composição da atmosfera terrestre e que é caracterizado pelo símbolo O com número atômico 8 e massa atômica 16u, está ausente no meu organismo. Sudorese, taquicardia, cianose... onde está meu oxigênio??? A saturação está abaixo de 90%, os batimentos cardíacos estão sumindo...estou morrendo!!! No eletrocardiograma vejo as ondinhas subindo e descendo e ainda consigo ouvir o som do desespero... pi...pi...pi...pi... Esse apito, a certeza do coração batendo. No monitor as ondas diminuem, e os números que antecedem a sigla bpm continuam caindo. Me lembro dos momentos bons e das pessoas queridas que tanto amei por toda a minha vida. A história da minha trajetória na terra passa em segundos pela minha mente, e não consigo conter a emoção deixando a lágrima cair. Não tenho forças, mas preciso lutar. Não quero me despedir ainda. A vontade de viver dá a coragem de tentar. Tento respirar e agora sinto o ar. Os batimentos cardíacos estão subindo e a saturação normalizou. Estou vivo!!!!!!

Nossa vida é como as ondas do eletrocardiograma, sempre haverá altos e baixos, e dê graças a Deus por isso, pois quando a linha da nossa vida estiver reta, é esse barulho que iremos ouvir: piiiiiiiii..............


Bruna Redoschi.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Em Cartaz!

Não há um texto, uma fala, uma prosa, um verso, muito menos um roteiro a seguir. Vivo do improviso... do imprevisto. Cena 1: maternidade. Cena x: sete palmos abaixo da terra. Entre as duas cenas, atos e mais atos de pura comédia, drama, romance, aventura, tragédia... tudo embaralhado em uma única trama. Local? Planeta terra. Autor? Alguém que talvez um dia descobriremos quem é. Personagens? Cidadãos do bem, indivíduos do mal, anjos da guarda, fada madrinha, príncipe encantado, líder de torcida, capitão do time e aquele garoto que iria mudar o mundo. Muitos e muitos figurantes que circulam sem um destino aparente, sem um passado, futuro ou presente. Figurinista? Talvez o Sr. Gucci ou a Sra. Opera Rock... mas, devido a falta de patrocínio me contento com o auxílio das Sras. Marisa e C&A.

Os ingressos são gratuitos, e não há poltrona marcada. O espetáculo já começou, mas quem sabe quando acabará? Estará em cartaz por apenas uma vida, então, se apresse! Você pode escolher: ser um mero expectador ou fazer parte dessa arte insana que consiste em minha vida!

Por favor, não aplaudam. A luz geral ainda não se acendeu e as cortinas permanecem abertas.

Agradecimentos especiais: SATED da Vida.

Bruna Redoschi.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Só por hoje

Minhas palavras já não chegam aos seus ouvidos e a sensação que tenho é que me encontro a anos luz do seu olhar. Invisível. Assim estou perante a ti. Um nada esparramado pelo ar sendo jogado de um lado para o outro conforme sopra o vento. “Será que você ainda pensa em mim?”. Não, a pergunta correta seria: “Será que algum dia pensou?”. É estranho imaginar se as pessoas pensam em ti, se elas se importam contigo e o quanto você é ou não necessária na vida delas. É tão mais fácil acreditar que você faz a diferença na vida de alguém, e quando te jogam na cara o quanto você não faz a menor falta, dói muito. Essa indiferença por aquele que te tem com carinho é intragável. A retribuição do sentimento ofertado é o mínimo de agradecimento esperado, e pode ser feito através de um sorriso amável e sincero. Ninguém fica mais pobre doando um sentimento, mas com certeza a pessoa que o recebe se torna muito mais rica. Assim como o corpo se alimenta de animais e vegetais e a mente se nutri de informações, a alma também necessita do seu sustento... sentimentos e emoções!!!
Não é preciso ser rico pra ajudar alguém, nem ser pobre pra pedir socorro. Não tenha medo de oferecer alegria, carinho, amor, paixão, afeto... eles são infinitos dentro do coração de cada um.

Não sou rica, e sei que posso ajudar. Não sou pobre, mas grito desesperadamente a você por socorro.

Só por hoje, ajude a salvar uma alma!!!

Bruna Redoschi.